DAAT – Casa Hunter

DAAT

DEFICIÊNCIA DE ALFA 1
ANTITRIPSINA (AATD)

 

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O QUE É

A Deficiência de Alfa-1 Antitripsina (DAAT) é doença rara, de origem genética, caracterizada pela ausência ou produção em níveis anormais da proteína Alfa-1 Antitripsina. A falta dessa proteína, que tem um papel importante na proteção dos pulmões, pode levar a doenças respiratórias como enfisema, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e bronquiectasias, a dilatação anormal e irreversível dos brônquios.

A DAAT é encontrada em todos os grupos étnicos, mas ocorre com maior frequência em brancos de ascendência europeia. Estima-se que ela afeta cerca de 1 em 1.500 a 3.500 indivíduos, sendo que as formas leves da doença são mais frequentes. Estima-se que existam 6.000 pessoas com o tipo mais grave da doença no Brasil. A patologia, herdada dos pais, é determinada pela por mutações no gene SERPINA1, que é responsável pela produção da proteína alfa-1 Antitripsina. Mais de 150 mutações diferentes já foram identificadas até o momento. Entre as mais comuns identificadas estão as denominadas S e Z.

SINAIS & SINTOMAS

Pessoas com alterações genéticas no gene responsável pela produção da Alfa-1 Antitripsina também podem registrar o acúmulo da proteína no fígado, provocando doença hepática. Cerca de 10% dos pacientes com a forma grave da DAAT têm doença hepática que eventualmente requer um transplante de fígado. Outros sintomas observados mais raramente são lesões na pele (paniculite) e inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite)

Os problemas pulmonares são mais comuns nos adultos, enquanto os problemas de fígado e pele podem ocorrer em adultos e crianças. Os sintomas mais comuns encontrados nas pessoas com essa patologia são falta de ar e respiração ofegante, infecções repetidas dos pulmões e do fígado, pele amarelada (icterícia), urina escura e fezes claras, coceira na pele, baço ou fígado dilatado, níveis elevados de enzimas hepáticas, sangramentos ou hematomas.

Observação! Metade dos pacientes adultos com a forma grave da DAAT apresentam sintomas nos pulmões; 30% no fígado e 2% na pele

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da DAAT pode ser feito através de exame de sangue, onde é medida a quantidade de proteína AAT – através de uma técnica chamada Nefelometria. Quando a concentração está em um nível inferior a 90 mg/dL (miligrama por decilitro) é diagnosticada deficiência leve. Níveis inferiores a 50 mg/dL indicam deficiência grave. Os testes genéticos são utilizados para a confirmação do diagnóstico nos pacientes que apresentam os seguintes sinais:

TRATAMENTO

O tratamento pode incluir reposição enzimática da proteína, o uso de broncodilatadores para desobstruir as vias aéreas - se necessário, antibióticos para infecções do trato respiratório superior e, em casos graves, transplante de pulmão ou de fígado. Para o caso de pessoas com a patologia na família, recomenda-se o aconselhamento genético.

A manutenção da qualidade de vida pode - e deve - ser mantida através da proteção do organismo, através de procedimentos como o antitabagismo, a prática de exercícios regularmente e atenção à alimentação. Evitar fatores de risco (tabagismo, consumo de álcool, obesidade) pode retardar o aparecimento de doenças hepáticas e pulmonares. Cuidados preventivos, como a vacinação regular contra a gripe e a pneumonia, higiene das mãos e o distanciamento das pessoas resfriadas, devem ser observados.

Pacientes com doença hepática devem ser tratados por um hepatologista, que será responsável pelo acompanhamento da evolução da doença. Como não existe um tratamento específico, nos casos mais graves, o transplante pode ser uma opção. Aos que apresentarem doença pulmonar grave, pode ser necessário o tratamento inalatório, bem como a oxigenoterapia de longo prazo. O transplante de pulmão deve ser considerado na doença avançada.

ACONSELHAMENTO GENÉTICO

O aconselhamento genético deve ser realizado por todos os casais em risco. Isto é, aqueles em pai e mãe são portadores de uma mutação causadora da doença. Eles devem ser informados sobre o risco existente de 25% de ter um filho afetado a cada gravidez. O risco da transmissão da herança é o mesmo para homens e mulheres, porque o gene anormal não reside nos cromossomos sexuais (X ou Y).

Se um indivíduo recebe um alelo normal e um alelo Z (MZ), o risco clínico de desenvolver doença pulmonar é considerado pequeno, embora possa haver um subconjunto desses pacientes chamados heterozigotos que estão em maior risco, especialmente se eles fumam. Se um indivíduo recebe um alelo S e um alelo Z (SZ), eles também são considerados em maior risco de desenvolver doença pulmonar obstrutiva crônica se fumarem.

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DEFICIÊNCIA DE ALFA 1
ANTITRIPSINA (AATD)

 

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ATENDIMENTO SUPORTE

(FISIOTERAPIA, PSICÓLOGO, PSICOTERAPEUTA, SERVIÇO SOCIAL

Os cinco pilares para uma vida saudável com a DAAT estão relacionados a:


DÚVIDAS FREQUENTES

1O que é deficiência de AAT?
A deficiência de AAT, às vezes conhecida simplesmente como “alfa-1”, é uma doença genética que afeta principalmente os pulmões e o fígado. É caracterizada por uma diminuição nos níveis circulantes de uma proteína chamada alfa1 antitripsina.
2O que é DPOC e o que pode causar isso?
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, ou DPOC, é caracterizada por sintomas respiratórios que são persistentes com limitação do fluxo de ar devido à disfunção das vias aéreas ou alvéolos. A obstrução crônica do fluxo de ar pode ser devido à destruição do tecido parenquimatoso (levando ao enfisema) ou à doença das pequenas vias aéreas (levando à bronquite obstrutiva). Eles podem não ocorrer juntos ou na mesma taxa, mas geralmente são causados por inflamação crônica.
3Quais são os principais fatores de risco genético para DPOC?
A deficiência de AAT é o principal fator de risco genético conhecido para DPOC, particularmente enfisema com predominância na parte inferior do pulmão.
4Quais são os sintomas respiratórios da deficiência de AAT (DAAT)?
Os sintomas respiratórios da deficiência de AAT, que são indistinguíveis da DPOC induzida pelo fumo ou asma, bronquite crônica e enfisema (geralmente em combinação) incluem: chiado, tosse, excesso de produção de expectoração e grave dispneia aos esforços. A deficiência de AAT não pode ser diagnosticada apenas na apresentação clínica e deve ser confirmada com testes laboratoriais.
5Quais são os riscos associados à deficiência de AAT?
Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), expectativa de vida reduzida, cirrose em bebês, crianças e adultos (com variantes genéticas específicas), paniculite necrosante, uma doença de pele rara e Doença de Wegener (vasculite). Quanto mais tempo a deficiência de AAT permanece sem diagnóstico, maior o risco de danos pulmonares irreparáveis.
6O que é alfa1 antitripsina (AAT)?
A AAT é um inibidor da protease (Pi), uma enzima, um tipo de proteína produzida principalmente no fígado. Durante uma resposta inflamatório nos pulmões, resultante de infecção ou inalação de poluentes ambientais (ou fumaça de tabaco), o AAT viaja para lá. A AAT ajuda a equilibrar a resposta imunológica ao inibir o excesso de elastase de neutrófilos, outra enzima, que é liberada pelos neutrófilos, um glóbulo branco, durante a infecção. Esse contra equilíbrio ajuda a proteger o tecido pulmonar da destruição causada pelo excesso de elastase de neutrófilos.
7O que causa doença pulmonar na deficiência de AAT?
Quando há deficiência da proteína AAT, o equilíbrio entre suas ações e a elastase neutrofílica é perturbado. O excesso resultante de elastase neutrofílica destrói lentamente os componentes da matriz pulmonar, estruturas alveolares e vasos sanguíneos que se manifestam como bronquite obstrutiva crônica e enfisema. Acredita-se que essa seja a principal causa da doença pulmonar na deficiência de AAT.
8O que é um gene?
Um gene é comumente definido pela sequência de ácido nucleico que codifica as informações necessárias para a síntese de uma molécula, geralmente uma proteína. Os genes estão fisicamente localizados nos cromossomos em locais específicos, ou loci (plural; locus singular).
9O que é um alelo?
Um alelo é uma das muitas formas alternativas possíveis de um gene.
10O que é um genótipo?
O genótipo geralmente se refere à combinação de alelos de um indivíduo presente em um locus particular.
11O que é um fenótipo?
O fenótipo se refere à manifestação física do genótipo.
12Como a deficiência de AAT é diagnosticada?
De acordo com as diretrizes da European Respiratory Society (ERS), o nível quantitativo de AAT no sangue é geralmente o primeiro passo para identificar a deficiência de AAT. No entanto, testes adicionais com uma gota de sangue seco (DBS) geralmente são necessários para a genotipagem de AAT. Como a AAT é uma proteína de fase aguda, a quantificação simultânea da proteína C reativa com AAT é necessária para não superestimar os níveis de AAT. Este problema é evitado usando fenotipagem ou genotipagem de proteínas, que são independentes do nível de AAT.
13Qual é a diferença entre rastreamento e diagnóstico?
O diagnóstico, a primeira etapa no manejo clínico de um paciente, envolve a interpretação da história do paciente, observações clínicas e testes laboratoriais - todos os testes que ajudam a determinar a probabilidade de um diagnóstico. A triagem é uma aplicação sistemática de um teste para identificar indivíduos com risco suficiente de um distúrbio específico que pode justificar uma investigação mais aprofundada (por exemplo, o tipo de teste que pode levar a um diagnóstico).
14Qual é a diferença entre genotipagem e sequenciamento? Quando eu usaria um contra o outro?
A genotipagem refere-se à detecção de mutações AAT conhecidas, geralmente as variantes S e Z. Ele só pode detectar variações de sequência conhecidas porque este processo requer ferramentas moleculares específicas chamadas “primers” para detectar variantes conhecidas. Ele pode detectar alelos “nulos”. O sequenciamento de genes inteiros pode ajudar a identificar novas e raras variantes para as quais não há primeiras.