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Compromisso institucional para
transformar a agenda das doenças raras

Diagnosticar é apenas o começo: o avanço da triagem neonatal e da genética exige uma rede preparada para acolher, tratar e acompanhar pessoas com doença rara.

A ampliação da triagem neonatal e o avanço do diagnóstico genético estão transformando o cenário das doenças raras no Brasil. Mas os participantes da Mesa 2 foram unânimes ao afirmar que identificar a doença é apenas o primeiro passo.

A abertura da mesa foi marcada pelo relato da jornalista Larissa Carvalho, mãe do Theo, diagnosticado com acidúria glutárica tipo 1 apenas com 1 ano e 10 meses de idade. A demora no diagnóstico resultou em sequelas irreversíveis que poderiam ter sido evitadas caso a doença tivesse sido identificada nos primeiros dias de vida. A partir dessa experiência, o debate avançou para uma nova pergunta: à medida que o Brasil amplia sua capacidade diagnóstica, o sistema de saúde está preparado para receber e acompanhar esses pacientes?

O diagnóstico está avançando. A rede está preparada?

A expansão da triagem neonatal e a incorporação do sequenciamento genético representam uma mudança importante na capacidade de identificar doenças raras cada vez mais cedo. No entanto o aumento do número de diagnósticos exigirá uma rede assistencial preparada para acolher, orientar e acompanhar os pacientes desde os primeiros sinais da doença. Entre as prioridades apontadas estão a ampliação dos centros especializados, a organização dos fluxos de encaminhamento e a integração entre diagnóstico e cuidado.

Não basta diagnosticar. É preciso garantir a linha de cuidado

O diagnóstico precoce só produz benefícios quando está inserido em uma linha de cuidado organizada. Sem acesso oportuno aos especialistas, às equipes multiprofissionais e ao acompanhamento contínuo, grande parte de seu potencial acaba sendo perdida. A mesa defendeu o fortalecimento dos centros de referência, protocolos assistenciais integrados e continuidade do cuidado.

O cuidado precisa ser multidisciplinar

A maioria das doenças raras exige uma abordagem para além do tratamento medicamentoso. O cuidado deve acompanhar o paciente ao longo de toda sua vida e considerar necessidades clínicas, funcionais e psicossociais, envolvendo genética médica, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, assistência social e apoio psicológico.

A desigualdade continua sendo um dos maiores desafios

Embora existam avanços importantes em diversas regiões do país, o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e aos serviços especializados permanece desigual. Concentração de serviços, longas distâncias para atendimento e diferenças na capacidade instalada entre os estados continuam impactando a qualidade e a oportunidade do cuidado.

Dados, integração e planejamento serão decisivos

A ampliação da capacidade diagnóstica exigirá também uma nova forma de organizar o sistema de saúde. Dados estruturados, integração das informações, indicadores assistenciais e monitoramento contínuo serão fundamentais para planejar políticas públicas, acompanhar resultados e direcionar melhor os recursos disponíveis.

Participantes da Mesa

Andrey Corrêa
Diretoria de Desenvolvimento Setorial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)

Carolina Fischinger
Presidente da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal (SBTEIM)

Daniela Mentes
Superintendente do Instituto Jô Clemente

Gonzalo Vecina Neto
Médico Sanitarista

Larissa Carvalho
Jornalista da TV Globo e mãe do Theo, paciente com acidúria glutárica tipo 1

Michelle Fabiane
Diretora Médica da Roche

Natan Monsores
Coordenador-Geral de Doenças Raras do Ministério da Saúde

Publicação jornalística e analítica dedicada a mapear, diagnosticar e mobilizar o ecossistema brasileiro de doenças raras.

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